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Mulheres e energias renováveis: uma combinação de empoderamento e eficiência

Nesta quinta-feira, 24, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial-SENAI/RN, o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis- CTGAS-ER,  em parceria com a GIZ- Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (Agência Alemã de Cooperação Internacional)  vão  realizar o workshop “O talento feminino na profissão de Instaladora de Sistemas Fotovoltaicos”. Durante o evento  haverá um desafio tecnológico. Todas as informações estão em http://www.rn.senai.br/workshop-fotovoltaicos. A possibilidade de aliar desenvolvimento profissional com a construção de um legado para o planeta tem mobilizado mulheres jovens a atuar profissionalmente no campo das energias renováveis e da eficiência energética. Formações técnicas do SENAI tem contribuído para a entrada de mulheres na profissão. A partir daí, elas vão longe.


Foi por causa de um temporal que Samira decidiu entender o céu e o clima. Depois de 5 anos sem chuva, a pequena cidade de Cuité (PB) foi atingida por um mega vendaval com direito a ventos fortes e chuva de granizo, que destelhou e destruiu casas e prédios públicos. “Como é que do céu pode vir tanta força assim?”, se perguntou Samira, na época com 14 anos. 

 O medo impulsionou a jovem. Samira Azevedo, hoje pesquisadora do Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER) decidiu estudar meteorologia. Graduou-se em Campina Grande, fez mestrado e doutorado e se apaixonou pela radiação solar. Durante o doutorado, tornou-se pesquisadora do CTGAS-ER e lá cursou a primeira turma do curso de instalação de painéis fotovoltaicos. Eram duas mulheres e 24 homens. “Sempre olho de igual para igual. Fui conquistando meu espaço”, relata a pesquisadora, que conta que durante o curso o ambiente sempre foi muito cordial e agradável. Na formação, foi possível perceber que utilizando os procedimentos corretos – que incluem uso de equipamentos de proteção individual e ferramentas adequadas – o trabalho é realizado sem esforço e não há diferença alguma se está sendo executado por homens ou mulheres.
“Meu trabalho é tudo o que eu queria. Hoje, além de entender da medição do recurso, que é a radiação solar, eu compreendo toda a tecnologia envolvida no uso do recurso e tenho uma visão global do processo. Sinto que contribuo com algo muito relevante para o mundo”, explica, orgulhosa.


O sentimento de orgulho também é bem forte para Laís Valadares. “Estamos construindo uma história em energia fotovoltaica. Energias renováveis é um mercado promissor. Estamos na contramão da crise”, afirma a engenheira, responsável por Soluções em Energias Renováveis em uma das mais relevantes empresas do setor.


A história de Laís também foi de superação de desafios. Com duas graduações – a primeira em engenharia de controle e automação e a segunda em engenharia elétrica – Laís conta que sempre foi marcante a pequena presença de mulheres no processo de formação e no ambiente de trabalho. Numa turma de 4 mulheres e 56 homens cursando engenharia, ela conta que as mulheres se uniam e acabavam sendo referência da turma pela dedicação. 

Em seu primeiro estágio, ela foi a única mulher numa linha de produção inteira de uma fábrica de automóveis. “As pessoas olham diferente para uma mulher na área, mas isso até a gente mostrar nossa capacidade”, conta. Laís seguiu em frente, cursou uma pós-graduação em engenharia de instrumentação na área de petróleo, atuou em mineração, mas hoje se sente realizada mesmo na área de energias renováveis. A engenheira relata que o setor está em crescimento intenso. “Preciso selecionar profissionais que atuem com fotovoltaica e ainda é difícil encontrar. Mulheres, então, menos ainda”, explica, incentivando a formação profissional na área.

Assim como Samira e Laís, outras mulheres têm realizado contribuições importantes ao campo das ciências, engenharia e matemática. Ainda são poucas e há um desafio ainda maior: o de conquistar espaços de liderança. Ainda há um gap entre a quantidade de mulheres nas atividades iniciais da empresas do setor.

Nesse momento de estimular o empoderamento feminino e promover equidade de gênero, somado ao contexto internacional que favorece as profissões ligadas a uma nova matriz energética para combater os efeitos das mudanças climáticas, a oferta de cursos profissionalizantes tem aumentado, assim como os cursos de graduação e pós-graduação.

  O Brasil tem imensa capacidade para a utilização de energias renováveis em sua matriz energética. O país, que é signatário da COP 21, comprometeu-se nos acordos internacionais a reduzir a emissão de carbono e a tornar a matriz energética nacional mais eficiente com energias renováveis. O país tem caminhado para o desenvolvimento de condições que tornam efetiva e significativa a presença de energias renováveis na sua matriz e, segundo a ANEEL, até 2024 são esperados mais de 1,2 milhões de sistemas fotovoltaicos instalados apenas em residências. Isso significa uma nova cadeia produtiva em desenvolvimento e novas oportunidades de emprego e capacitação.

O Ministério de Minas e Energia (MME) lançou um plano de estímulo para atrair R$ 100 bilhões em investimentos privados para a geração de energia solar até 2030. A meta do Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD) é incentivar 2,7 milhões de casas, comércios, indústrias e unidades agrícolas a instalarem painéis solares para gerar 48 milhões de megawatts/hora (MWh) por ano. Isso equivale à metade do que a usina hidrelétrica de Itaipu gera anualmente.  Segundo o MME, o investimento na estrutura necessária deve gerar 25 a 30 empregos para cada MWh solar. Ou seja, a previsão é de que haverá muitas oportunidades de emprego e de empreender na área.

Hoje as mulheres ocupam apenas 4% das vagas dos cursos técnicos profissionalizantes. É importante criar condições para recebe-las e estimulá-las a estudar o assunto. Um dos cursos mais interessantes no setor é o de instaladores de painéis fotovoltaicos – o curso que a Samira, da história que contamos lá no começo, frequentou na primeira turma, e que já está na sua terceira edição.

O SENAI oferece este curso em São Paulo, Belo Horizonte, Distrito Federal, Natal e Fortaleza. A Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), agência responsável pela cooperação técnica internacional entre Brasil e Alemanha, é parceira do SENAI na realização dos cursos técnicos, de pós-graduação e de formação de professores. A GIZ atua na cooperação internacional entre Brasil e Alemanha na área de energia criando perspectivas em novas tecnologias, segurança energética e desenvolvimento urbano para superar os desafios globais e criar um futuro sustentável.

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